Primeiro vamos entender o princípio do vício. Vício é uma ação imbuída em desejo contínuo que aos poucos embota nosso poder de escolha. Há vícios completamente subjetivos (como a mentira, o preconceito, o mau uso da linguagem, a timidez, o medo) que independem de um veículo físico para serem postos em prática. Há também vícios objetivos (como o jogo, alguns transtornos obsessivos compulsivos, o uso de certas substâncias que alteram o funcionamento de nossa alma) que tem como objeto do prazer um veículo físico (seja ele externo ou parte do próprio corpo).
Em ambos os casos, os efeitos da ação se refletem na "alma" de quem a pratica. Alma é todo o conjunto de coisas que refletem quem somos: Corpo, mente e espírito e todos os circuitos que os ligam.
Os efeitos não são somente físicos, mas também psicológicos (manifestam-se no corpo e mente); há ainda os efeitos espirituais (aqueles que a ciência não consegue compreender direito).
Se a dor física cessa quando se morre, pois o corpo físico se desprende do espírito, o tormento espiritual continuará (e nisso consiste a prisão espiritual, um "estado de espírito" -- e não um lugar -- de tormento e dor espirituais).
A dor espiritual, ou o tormento espiritual, se dá no espírito, que se viciou nas sensações físicas para ter prazer, e perdeu a noção de gerar alegria por conta própria. Seu vício permanecerá no mundo espiritual e, por mais que tentem convencê-lo de que ele é agora um espírito e que não está sentindo aquilo que diz sentir, ele não compreenderá o tormento e achará que a única solução para aquilo está no veículo de seu prazer.
Tenho um amigo que lutou contra a Síndrome do Pânico associada à Tanatofobia durante anos. Quando ele tinha crises, sua mente fabricava sensações físicas em seu corpo que prenunciavam a chegada da morte, segundo sua visão de morte que ele criara. Ele tinha convulsões, palpitações, suor frio, formigamentos... E mesmo que nos esforçássemos pra explicar pra ele que tudo aquilo estivesse sendo fabricado por sua mente, e mesmo que os médicos explicassem, e mesmo que ele se conscientizasse disso... quando a crise começava, ele SENTIA tudo aquilo e perdia controle, entregando-se ao tormento e dor.
Do mesmo modo que nossa mente cria esses vínculos distorcidos, nosso espírito também o pode fazer. Do mesmo modo que nosso corpo adoece, nosso espírito também pode adoecer. E, nesse caso, essa adolescência do espírito se dá quando criamos esses vínculos distorcidos de dependência, que geram igual tormento e sofrimento.
Um espírito maduro é independente, e em sua independência, encontra felicidade.
Então, uma pessoa que foi viciada na terra a qualquer tipo de droga , como a nicotina, por exemplo, não sentirá falta física de tal droga, pois seu corpo já não existe para reclamar a substância. Mas seu espírito sentirá falta da paz que só conseguiu aprender a encontrar a cada ingestão, inalação ou contato. Ele esqueceu como encontrar paz de outro modo. E sentirá muita dificuldade de lidar com todos os sintomas que sua mente acostumou-se a fabricar em seu espírito pela abstinência.
Ele ansiará pela droga, alimentando sua lembrança de dependência. O sofrimento não será físico, mas espiritual. E, sobre esse sofrimento, Cristo certa vez falou que é tão forte que fará com que desejemos deixar de existir. Mas já estaremos mortos e isso só aumentará o sentimento de desesperança.
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